Check-in de hóspedes: que dados do documento a lei exige (e quais não estão no documento)
Check-in de hóspedes: que dados do documento a lei exige (e quais não estão no documento)
O que quase nenhum guia de check-in diz em voz alta: o documento de identidade não contém os dados que a lei lhe pede. Em Portugal, o boletim de alojamento submetido no SIBA identifica o hóspede estrangeiro e a estadia — datas de entrada e saída, estabelecimento, nacionalidade e dados do documento. As datas e os dados do alojamento não estão impressos em nenhum documento de identidade do mundo: saem da sua reserva. Qualquer processo assente na ideia de "fotografo o passaporte e está tratado" está incompleto à partida.
E há um segundo detalhe que separa Portugal dos vizinhos e que a maioria dos artigos trata de passagem: o boletim de alojamento aplica-se apenas a cidadãos estrangeiros, incluindo os de outros países da UE. Hóspedes portugueses não são comunicados. Em Espanha e em Itália comunica-se toda a gente, sem exceção. Se gere unidades em mais do que um país com o mesmo modelo de check-in, está a construir para regras diferentes — e o modelo tem de ser desenhado para a mais exigente.
Abaixo, a divisão campo a campo e o procedimento que aguenta uma inspeção policial e outra de proteção de dados.
O que o boletim de alojamento pede
Os dados que compõem a comunicação:
- Nome completo do hóspede
- Data de nascimento
- Nacionalidade
- Tipo e número do documento de identificação (passaporte, cartão de identidade, título de residência)
- País emissor do documento
- Data de entrada e data prevista de saída
- Identificação do estabelecimento de alojamento
Classifique-os pela origem. Lêem-se do documento: nome, data de nascimento, nacionalidade, tipo, número e país emissor. Não se lêem em lado nenhum: datas de entrada e saída e a identificação do estabelecimento, que vêm da sua reserva e do seu registo de AL.
O prazo é de 3 dias úteis após a entrada do hóspede, e a submissão faz-se exclusivamente pelo portal SIBA, em formato eletrónico. Desde a extinção do SEF, em outubro de 2023, o SIBA é operado pela PSP, enquanto a AIMA ficou com as competências administrativas em matéria de migração — motivo pelo qual ainda encontra guias a falar em "boletim do SEF": é o mesmo boletim, outra entidade. Recomenda-se guardar a documentação de suporte durante pelo menos cinco anos para responder a eventuais ações de fiscalização.
Comparar prazos ajuda a desenhar o processo
- Portugal: 3 dias úteis, SIBA, só estrangeiros.
- Espanha: 24 horas desde a entrada, plataforma SES.Hospedajes, obrigatória para todo o alojamento profissional desde 2 de dezembro de 2024, e para todos os viajantes. O regime sancionatório remete para o capítulo V da Lei Orgânica 4/2015: falta dos registos ou omissão das comunicações é infração grave, com coimas de 601 a 30.000 euros; deficiências no preenchimento e comunicações fora de prazo são infrações leves, de 100 a 600 euros. O funcionamento do portal está descrito aqui: Registo de viajantes no SES.Hospedajes: o guia 2026 para alojamento local.
- Itália: 24 horas desde a chegada, ou 6 horas se a estadia não exceder um dia, pelo portal Alloggiati Web. A sanção corre pelo artigo 17 do TULPS e tem natureza penal.
Repare no critério de decisão que isto lhe dá: um check-in incompleto ao fim de 23 horas em Espanha deve ser comunicado com o que existe e corrigido depois, porque não comunicar é infração grave e comunicar mal é leve. A ordem de grandeza entre as duas é de cinquenta para um.
Dados de Espanha: o pormenor que quase ninguém explica
Se também opera em Espanha, vale a pena conhecer dois campos que não existem no boletim português. O primeiro é o número de soporte do documento (IDESP no DNI, IXESP no cartão de estrangeiro): identifica o cartão físico e não a pessoa, é obrigatório quando o documento é DNI ou NIE espanhol e é a causa número um de comunicações rejeitadas. Três letras e seis dígitos no DNI eletrónico atual; letra E mais oito dígitos no título de residência. O passaporte não tem equivalente.
O segundo é a relação de parentesco. O artigo 4.º do Real Decreto 933/2021 fixa a fronteira nos catorze anos: quem tem mais de catorze assina pessoalmente o documento de entrada; para os mais novos, os dados são fornecidos pelo adulto que os acompanha, e o Anexo I passa a exigir o grau de parentesco entre viajantes. O menor não assina nem apresenta documento próprio, mas não desaparece do registo. Omitir menores de 14 anos é o erro clássico das reservas familiares.
Guardar os dados, não guardar a imagem
Aqui está o ponto que muda o desenho de todo o processo. A autoridade espanhola de proteção de dados publicou, a 17 de junho de 2025, que o Real Decreto 933/2021 não autoriza conservar cópia física ou digital do documento de identidade. As razões são transponíveis para qualquer operador europeu sujeito ao RGPD: o documento traz dados que a norma nunca pediu (fotografia, CAN, validade, nome dos pais), o que é tratamento excessivo face ao princípio da minimização; e, ainda assim, não cobre todos os campos exigidos. A alternativa recomendada é concreta: preparar um formulário com os dados necessários e verificá-los presencialmente com o documento oficial à frente.
Traduzido para a operação: conserva-se o registo estruturado — em Espanha três anos desde o fim do serviço, em Portugal a documentação de suporte pelo período recomendado de cinco anos — e não se conserva a imagem do documento. Se tem uma pasta com digitalizações de passaportes das épocas anteriores, essa pasta é hoje a sua maior exposição, e resolve-se com uma política de eliminação, não com uma palavra-passe melhor. O raciocínio completo está em Como guardar cópias do documento dos clientes sem violar o RGPD.
Um procedimento de check-in que aguenta as duas inspeções
- Capture o documento uma vez, no momento do check-in. Fotografia ou digitalização, sua ou enviada pelo hóspede. É uma cópia de trabalho que dura minutos.
- Extraia automaticamente os campos do documento. Nome, data de nascimento, nacionalidade, tipo, número e país emissor. Transcrever à mão é a fábrica dos erros de preenchimento.
- Acrescente o que o documento não tem. Datas de entrada e saída, identificação do estabelecimento e, se operar em Espanha, telefone, email, morada de residência, número de viajantes e parentesco.
- Verifique com o documento físico à frente do hóspede. É o passo que substitui guardar a cópia.
- Submeta dentro do prazo: 3 dias úteis no SIBA, 24 horas em Espanha, 6 ou 24 em Itália.
- Guarde o comprovativo de submissão. Elimine a imagem.
O passo 6 é o que toda a gente salta e o mais barato de automatizar: uma regra que apaga as imagens assim que os campos estão extraídos e validados transforma um passivo que cresce sozinho num não-problema.
Onde vai realmente o tempo
Uma reserva familiar de seis pessoas são seis documentos, seis a oito campos cada um, transcritos à mão na receção ou a partir de uma conversa de WhatsApp às onze da noite: perto de cinquenta dados antes sequer de abrir o portal, para uma única entrada. Multiplique pela sua taxa de ocupação e o custo de cumprir deixa de ser uma questão jurídica e passa a ser uma questão de pessoal. A mesma aritmética que fizemos para a burocracia de uma agência aplica-se quase sem alterações: Quantas horas por mês perde a sua agência com papelada?.
A parte automatizável é estreita e bem definida: converter a imagem do documento nos campos estruturados, em segundos, para que o tempo humano vá para os dados da estadia e para a verificação presencial que o regulador realmente quer. A mesma lógica de extração é a que as imobiliárias usam para identificar clientes fora do contexto do alojamento: Guia imobiliário: automatizar KYC e identificação de clientes por WhatsApp.
Pode testar o passo de extração com um documento real agora mesmo, sem criar conta: experimente grátis, sem registo.
Precisa extrair dados de um documento agora?
Experimente grátis em segundos, sem conta nem cartão. Envie uma fatura ou documento e receba os dados na hora.
Testar grátis